Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2006
"Você tem o sexo na cabeça, rapaz. E aí, definitivamente, não é o lugar dele." Mae West
Eu sei que este blog está vocacionado?????para temas menos sófetes, LOL, mas como também é lido por muitas amigas minhas que gostam de coisas very láites, e este tema é tão recorrente em milhões de conversas a toda a hora e em todo o lado, que aqui vai para todos ;

Afinal de contas, o que é que uma mulher quer da vida, daqueles que a rodeiam e de si mesma?

Na minha qualidade de mulher, acho que uma mulher que se preze de o ser, quer, para começar, ser muito, mas mesmo muito egoísta. Uma mulher quer deleitar-se no supremo prazer de dizer não aos caramelos dos pretendentes, mesmo quando tudo o que ela quer ou tem para dizer é pura e simplesmente SIM!

Uma mulher anseia pela condição de dama num salão, de puta na cama e de perita na cozinha. Uma mulher quer colocar pratos sofisticados e sobremesesas deliciosas na mesa, quer ter filhos, quer ser amada e ter um homem para amar e preencher cada um dos dias da sua vida de imensos momentos de contentamento.

Colocadas as iguarias na mesa, uma mulher quer que comam tudo e até que raspem os pratos. Pedaço após pedaço, de pão, absorvendo, no molho, cada gota do prazer que ela sente sempre que cozinha para aqueles que ama. Uma mulher quer ver os seus filhos crescerem saudáveis e felizes e quer que eles durmam tranquilamente a noite toda, de preferência em casa, já agora.

Para se sentir plena, uma mulher quer ser mãe ou já quis ser um dia. Como não podia deixar de ser, uma mulher que tenha filhos quer usufruir de mais tempo para ela mesma. A falta de tempo é tão prejudicial como o inverso, pelo que uma mulher com tempo livre em demasia quer, e muito bem, ter uma rotina mais preenchida. O tédio foi, há muito, dispensado pelas mulheres!

Uma mulher quer ter um belo par de mãos e unhas bonitas e resistentes, que não se partam com a maior das facilidades. Uma mulher quer sentir-se bem e ser a mais atraente de todas, com o peso – a mais ou a menos - que tenha. Uma mulher quer saber e ver que o seu trabalho é apreciado e valorizado. E quer ganhar dinheiro com ele, quanto mais melhor. Uma mulher quer ser amada e viver permanentemente apaixonada. E quer divertir-se!

Uma mulher quer um cabelo que não precise de andar a ser constantemente pintado, cortado e escovado. Uma mulher quer tanto conversar como ficar, por vezes, em silêncio. Uma mulher quer que lhe telefonem de surpresa e lhe digam coisas que a deixem sem palavras. Uma mulher quer deixar um homem doido e ter, ela mesma, o direito de ficar maluca com, por e para ele.

Uma mulher quer aprender a ser totalmente egoísta, concretizar o desejo de, pelo menos uma vez na vida, pensar nela e só nela e em mais ninguém. Uma mulher quer inspirar um poema. Quer ser aquela musa inspiradora do poeta, mas não quer ser confundida com outras mulheres que não controlam a sua própria vaidade e fazem todos os possíveis e imaginários para se evidenciarem.

Uma mulher quer poder desligar a televisão e dizer ao seu homem que quer sexo, de preferência muito e bom. Uma mulher quer consolar-se com metade dum bolo de chocolate sem ficar com quaisquer sentimentos de culpa. E quer ficar bonita na fotografia. Uma mulher quer ficar mais bela, dormindo mais cedo. Numa festa, uma mulher quer que reparem nela. Uma mulher quer e reza para que o seu carro não a deixe pendurada numa estrada qualquer. Uma mulher quer ser escutada. E quer escutar os homens, mesmo os que pouco se abrem para falar do que lhes vai na alma.

Uma mulher quer ser útil, quer dar o seu contributo e fazer algo pela sociedade. Quer ter um coração grande e bondoso para ajudar quem dela necessitar. Em troca, quer que a ajudem com os sacos das compras. E que a amparem na dor, nas suas muitas dores. Uma carícia, um afagar de cabelos, é, por vezes, tudo quanto lhe basta!

Uma mulher quer largar sonoras e cristalinas gargalhadas. Uma mulher quer que não a levem assim tão a sério. Quer lutar por aquilo em que acredita sem ficar embrutecida. De tempos a tempos, uma mulher quer oportunidades para demonstrar os seus talentos de actriz. Quer ser uma estrela, brilhando no escuro.

Uma mulher não quer guerras, quer paz, muita paz. Uma mulher quer mais momentos de leitura, quer viajar mais e conhecer mais. Quer ser uma cidadã do mundo! Uma mulher quer flores, beijos, chocolates, diamantes. Uma Mulher quer sentir-se viva, vivendo bem e inteligentemente. E quer viver para sempre, enquanto for bom viver!

Doutor Freud, afinal, não somos assim tão complicadas como nos pintam!


publicado por antmarte às 20:15
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Desportivismo
De um Lagarto, em noite europeia, em que não há “clubismos”

“Tenham na alma a chama imensa” (in “A Bola” de hoje)

E o Rossio de novo sede dos adeptos ingleses (algures lia-se “football is not a matter of life and dead. It's more than that”...). (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 14:13
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Outra com bolinha vermelha
Porque o Ferraz queria mais coisas “picantes” e a propósito do primeiro aniversário do governo Sócrates...

Que palavra com bolinha vermelha arranjariam se vos perguntassem o que é que o governo nos tem andado a fazer neste seu primeiro ano de mandato?! (mas, claro, esta posição não corresponde necessariamente a juntar-me ao Ferraz, nem de longe, que eu não vou por aí!) (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 12:28
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Sábado, 18 de Fevereiro de 2006
Final dos capitulos "As gajas que queria casar"
9 - Faço Minhas as Palavras: - Cap. IX de X Cap.

De João César das Neves que escreveu no DN 6-2-06 que vivemos, sem duvida num mundo estranho. Apregoa-se abertamente uma filosofia geral de prazer, cobiça e egoísmo. O interesse, carreira, orgulho pessoal são determinados por cada um arbitrariamente, na ilusão da felicidade e no desprezo de deveres comunitários.

Em nome dos direitos humanos, não só se toleram, mas defendem com ardor coisas antes repudiadas, como divorcio, aborto, homossexualidade, clonagem, eutanásia, bancos de esperma, barrigas de aluguer. Milenares instituições, como casamento, adopção, herança, estão abertas à discussão e a redefinição súbitas.

O conceito de vida humana também se sujeita a sufrágio e manipulações. Quem for contra isto é insultado e ate levado a tribunal. Em nome da Liberdade destrói-se a mesma liberdade. (.....) Ao rejeitar-se a tradição e cultura europeias e aqueles valores em que edificamos a nossa sociedade, quer-se retornar à situação anterior, a da cultura pagã. Tal como os ideólogos do Iluminismo, são os axiomas da civilização clássica, decadente e hedonista, que fascinam os movimentos anti-familia“


10 - Sem Cedência - ultimo capitulo

As gajas queriam casar?
Que casem. Arranjem primeiro maridos. O que está na génese deste desejo a que pretensamente chamam direitos? E, de outros “direitos” que para aí despertam em outras polutas franjas sociais?

- - O prazer? Da carne pelo Amor, paixão ou sexo.
- - Económico? Pela publicidade, um emprego na Função Publica?
- - Lúdico? Jogar no Benfica num misto com homens?
- - Social? Utilizar o WC dos homens ou conduzir pela esquerda?
- - Um subsídio para a droga, como outros tem para a metadona?

Claro que podem, reivindicar tudo em nome de que “queremos direitos iguais”. E se a lei o não permite que se mude a lei.
Se calhar o que quer que seja não precisam de adulterar as leis vigentes substantivadas na cultura e tradição ceder aos valores da minha civilização da minha cultura por pretensões egoístas, do negócio do prazer na busca do reconhecimento social ilícito, e da destruição por sadismo, masoquismo, prazer vácuo dos conceitos milenares suportes da actual civilização estou indisponível.

Cedêssemos hoje a estas inexplicáveis pretensões e para “os amanhas que cantam e quejandos”, novos lutas se abririam. A legalizarão da droga com o respectivo subsídio, o incesto, a poliandria, a eutanásia, a poligamia (esta também quero)
Definitivamente, dos valores que fazem parte do meu património cultural e civilizacional, não abdico, não partilho tão pouco estou disponível para deixar adulterar. JF


publicado por antmarte às 14:29
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2006
Gosto de coisas bonitas.....
Prometo que vou parar, mas também prometo que vou continuar.........


Os Amantes com Casa


Andavam pela casa amando-se no chão e contra as paredes.

Respiravam exaustos como se tivessem nascido da terra de dentro das sementeiras.

Beijavam-se magoados até se magoarem mais.

Um no outro eram prisinoneiros um do outro e livres libertavam-se para a vida e para o amor.

Voltavam a andar pela casa amando-se, entao era a música, como se cada corpo atravessasse o outro corpo e recebesse dele nova presença, agora serena e mais nobre mas avidamente rica por essa pobreza.

A nudez corria-lhes pelas mãos e chegava aonde tudo é branco e firme.

Aquele fogo de carne era a carne do amor, era o fogo do amor, o fogo de arder amando-se e por toda a casa, contra as paredes no chão.

Se mais nao pressentissem bastaria aquela linguagem de falar tocando-se como dormem as aves.

E os olhos gastos por amor de olhar, por olhar o amor.

E no chão contra as paredes se amaram e pela casa andava como se dentro das sementeiras respirassem.

Prisioneiros libertados, um no outro eram livres e para a vida e para o amor se beijarem magoando-se mais, até ficarem magoados.

E uma presenca rica, agora nova e mais serena, avidamente recebeu a música que atrevessou de um corpo a outro corpo chegando às mãos onde toda a nudez é branca e firme.

Com uma carne de fogo incarnado o amor, incarnado o fogo, pressentindo que andando pela casa bastaria tocarem-se para ficarem dormindo como acordam as aves."


Joaquim Pessoa




publicado por antmarte às 19:41
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Lilith (de vermelho) ou Eva (de branco)


Lilith versus Eva;


Sempre me atraíram as personagens mais diabólicas da mitologia... mas a que mais me intriga e fascina é Lilth, pela sua independência, coragem, perversidade e intensidade.

Lilith foi a primeira mulher de Adão, depois sim veio a Eva, submissa e obediente... tirada de uma costela do companheiro.

Hoje apetece-me tornar a Lilith mais real, e menos lenda!

“It doesn't hurt me
Do you wanna feel how it feels?
Do you wanna know that it doesn't hurt me?
Do you wanna hear about the deal that I'm making?
It's you and me, yeah…”

Lilith, cheia de sangue e saliva, foi criada do mesmo pó que Adão, por isso exige ser considerada sua igual, desobedecendo a sua supremacia, à sua dominação à sua maneira de se impôr e demonstrar poder.
Desta forma, renega também uma ordem do pai - Deus.

Lilith revolta-se com sua condição de submissão.
Tal atitude traz-lhe consequências trágicas, acabando por se tornar a Rainha do Palácio do Demónio. Declarando guerra ao pai passando a atemorizar os homens.

A natureza de Lilith é astuta como a serpente. A sua sabedoria de demónio é grande, mas por isso grande também é o seu sofrimento.

Lilith é a prostituta, é a sedutora, é a Bruxa, a mulher devoradora, a mulher fatal, a feminista,.... Opondo-se à virgem, à boa mãe, à deusa... quem sabe, a Eva.


Estamos diante do eterno problema????/ tema do FEMININO-DIABÓLICO

Mas começando do como, Tudo começou assim:

Deus criou Lilith e Adão ao mesmo tempo e do mesmo pó.
O amor de ambos começa a ser perturbado quase imediatamente. Não havia paz entre eles porque quando se uniam na carne, evidentemente na posição mais natural - missionário - Lilith ficava impaciente, perguntava ao companheiro: “Porque devo deitar-me debaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Porque razão devo ser dominada por ti? Também eu fui feita do mesmo pó que tu, e por isso sou tua igual.”

Ela pede para inverter as posições sexuais para estabelecer a harmonia... uma harmonia que deve significar a igualdade entre os dois corpos e as duas almas. Assim que Lilith faz este pedido, ainda húmido de calor, Adão responde secamente não.

Lilith dece ser submetida a ele, ela deve estar simbolicamente sob ele, suportar o seu corpo e o seu peso.
Portanto: existe uma ordem que não pode ser alterada.

Ela como não aceita esta imposição e revolta-se contra Adão. Aqui dá-se a ruptura do equilíbrio.
Qual é a regra do equilíbrio? Está escrito, que o homem é obrigado à reprodução, a mulher não. Diante da recusa de Adão, Lilith pronuncia, irritada, o nome de Deus e ao acusar Adão afasta-se.

Enquanto isto sucede, Adão sente de imediato uma dor crua, uma angústia de abandono. O homem havia obrigado uma não à sua mulher. E assim surgem as trevas.
Adão tem medo, sente que a escuridão o oprime. Sente que as coisas boas terminaram com o desaparecimento de Lilith.

Dirige-se a Deus:

"Procurei no meu leito aquela que é o amor da minha alma; procurei e não encontrei. Agora só tenho o desespero, a dor por ter perdido Lilith."

Deus quer saber de imediato a causa do litígio e compreende que a mulher desafiou o homem e, portanto o divino.

Lilith voou para longe, em direção às margens do Mar Vermelho, depois de terprofanado o nome de Deus Pai....

Assim é apresentada na tradição hebraica a história de Lilith.

Não há conclusão: de resto, a conclusão pode ser tirada por nós.
Lilith permanece na própria liberdade, demoníaca... desencadeando a sua força destrutiva e desde aquele dia nunca mais ficará com o homem.
Lilith torna-se numa mulher feita de fogo, instintiva, carnal, vingativa e devoradora de paixões até á ultima gota. Os homens são seu objecto de paixão e vingança... sem remorsos.

Lilith:

"Nas noites escuras e frias,
quando tudo são trevas puras,
em tua casa penetrarei,
atravessando as grades da janela tua
sob a forma de uma sutil e inocente bruma,
para então materializar-me, deliciosamente nua,
sobre teu corpo inconsciente e dormente.
Podes acordar, debater , tentar gritar,
Mas, advirto que será em vão,
Ninguém te ouvirá, nada te poupará
Da minha fúria ardente e paixão.
Com meus dentes e unhas, tuas roupas rasgarei
E sobre ti cavalgarei, em selvagem êxtase,
Meus lábios pálidos e frios colando-se aos teus,
Sorvendo o néctar do teu calor,
Tuas mãos, resignadas em não poder lutar,
Meus seios acariciam, levadas pelo prazer
Que invade o teu ser.
As minhas unhas cravando-se em tuas costas,
Deixando um rastro rubro de sangue,
Já não mais te importas com a dor,
Não é, meu amor?
Nada mais te importa,
Medo, pecado, inferno, punição ou dor,
apenas o prazer que te dou
Em troca de algo tão ínfimo e sem valor:
Tua alma imortal.
E para que serve ela, afinal?
Estás perdido dentro do meu corpo
De sedutora beleza que em nada lembra a angelical pureza,
Envolto em desejos e fantasias pecaminosas
Que eu realizo com toda presteza.
Teu ser pertence a mim agora,
Tua sanidade foi-se embora,
Estás preso na minha teia de lascívia,
Meu escravo e fiel servo para sempre serás
E saciar o meu desejo incontrolável tentarás.
Teu sangue, gozo e vitalidade me darás,
Assim como a tua alma, sem pestanejar.
Porém, quando não mais puderes me agradar,
De ti me vingarei, jogando fora tua casca mortal inútil e vazia,
Prendendo tua alma impura a grilhões de infinda tortura,
Pois destinado estás a sofrer por toda a eternidade
Nas profundezas abissais do inferno."

(Thaís Drimel Andrade)


Cada uma de nós sabe quem é e até já se encontrou as duas: Lilith (de vermelho) ou Eva (de branco) ou então com a junção das duas... duas mulheres diferentes num mesmo corpo.
Agora escolham! Fica a letra do “Running up that hill” dos Within Temptation, para melhor se entender esta estória.


"It doesn't hurt me
Do you wanna feel how it feels?
Do you wanna know that it doesn't hurt me?
Do you wanna hear about the deal that I'm making?
It's you and me, yeah
And if I only could
Make a deal with God
And have him swap our places
Be running up that road
Be running up that hill
Be running up that building
So if I only could
Don't wanna hurt thee
But see how deep the bullet lies
Unaware I'm tearing you asunder
Oh, there is thunder in our hearts
Is there so much hate for the ones we love?
Oh tell me we both matter, don't we?
It's you and me that won't be unhappy
....

C'mon baby, c'mon darling
Let me steal this moment from you now
C'mon angel, c'mon, c'mon darling
Let's exchange the experience
...

So if I only could
Make a deal with God
And have him swap our places
Be running up that road
Be running up that hill
With no problems...


publicado por antmarte às 19:33
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De todas as cores
Pois que venha ela, com ou sem bolinha encarnada, a mãe e pai de todas as discussões, o RACISMO.

“Amigo branco, algumas coisas deves saber:
Quando nasço, sou preto
Quando vou à escola, sou preto
Quando apanho sol, sou preto
Quando tenho frio, sou preto
Quando tenho medo, sou preto
Quando estou doente, sou preto
Quando morro, sou preto
E tu amigo branco?
Quando nasces, és cor-de-rosa
Quando vais à escola, és branco
Quando apanhas sol, ficas vermelho
Quando tens frio, ficas azul
Quando tens medo, ficas pálido
Quando estás doente, ficas amarelo
(Quando te zangas comigo, ficas verde
(Quando o Glorioso perde ficamos transparentes)
E quando morres, és cinzento
E és tu que me chamas pessoa de cor?

bonecarussa


publicado por antmarte às 19:08
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Pensarmo(-no)s sempre de novo
É a oportunidade que nos dá a leitura de Eduardo Lourenço.
Aproveitando a onda “agenda cultural”, que tem abundado por aqui (ele são exposições, ele são danças...), trago-vos agora a sugestão de um livro, mais um livro, afinal um dos grandes meios do nosso trabalho, talvez tanto quanto o mítico “terreno” (“antropólogos de gabinete”, é o que somos!)
Eduardo Lourenço tem um novo livro de ensaios, com o simbólico título de “A morte de Colombo. Metamorfose e fim do Ocidente como mito”. Reflectindo o encontro com o Novo Mundo e os seus nativos, o que o autor faz é devolver-nos “a nossa própria imagem de portugueses, mas desta vez no espelho invertido que foi (e continua a ser) para nós a descoberta da América e nela também a do Índio”. Centra-se assim esta nova meditação sobre os portugueses no “modo como estes se revelaram e foram constituindo numa identidade peculiar ao descobrirem(-se) (n)o Novo Mundo, quer dizer a ‘ocidente do Ocidente’ (como o próprio autor refere), mais europeus e ocidentais do que nunca” (citações retiradas da recensão no “Jornal de Letras” desta quinzena).
O pensamento de Eduardo Lourenço sempre me pareceu muito enriquecedor, à nossa perspectiva geral ou à antropológica. Agora (ou sempre?) particularmente ocupado de um território e temas tão afins à antropologia, parece-me imperdível a leitura destas páginas. (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 17:06
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À procura do tal “universal humano”
O eloquente trecho que o João nos trouxe de uma breve história das origens do islão reacendeu em mim uma ideia que já deixara cair. A forma límpida como nos fala das raízes de uma cultura, contrastando com os qualificativos simplistas de “fundamentalismo”, “selvajaria”, ou “barbárie”, que tão facilmente se ouvem em tantas bocas, não pode deixar de nos despertar para a procura de um olhar diferente sobre esse outro, um olhar que se queira aberto e (tanto quanto possível) não pré-concebido (afinal o anseio de todo o antropólogo).
Para lá dos famosos episódios dos cartoons, da inadmissível violência, do preconceito de ambos os lados e dos muitos argumentos ocultos (suponho que a principal causa de toda esta história), não haverá afinal um comum ponto de encontro, algum “universal humano” em que se una a nossa condição?
Vejam lá se não é algo parecido, o que achei enquanto escutava as músicas de um outro encontro das culturas...

“Quando o insondável mandado
da minha morte chegar,
por Alá o ordenar,
eu estarei conformado.
Morreu Adão, nosso pai,
Maomé, o verdadeiro,
morreram reis e heróis,
porque serei eu, pois,
a não morrer o primeiro?
Se te alegra a minha morte
que te não esqueça também
que terás a mesma sorte.”
Al-Qurashî (“Epitáfio”, in “Terra de Abrigo” – Ronda
dos Quatro Caminhos) (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 12:04
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006
Jornal Publico de 15-02-06



Este ano já se perderam 50 mil empregos.

Já não falta muito para que este (des) governo consiga os objectivos anunciados em campanha, faz agora um ano.

150 mil novos (des) empregos até ao final de legislatura. jf



publicado por antmarte às 19:07
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