Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Sexta-feira, 23 de Junho de 2006
Não só uns chutos na bola

   Por esta altura é quase inevitável que todos falemos da bola, a propósito do Mundial 2006. Nem que seja para criticarmos a (supostamente?) excessiva dependência do povão pelo jogo, em vez de discutirmos os resultados e exibições.

   Mas de onde vem essa importância do jogo, que extravasa em tanto as quatro linhas?

   A 2 tem passado um interessante documentário, que fala um pouco disso, também. Recorde-se, a título de exemplo, o Maracanã espantosamente silenciado de 1950, o aproveitamento político da vitória argentina de 78, a revenge democrática de 86, ou a reedição do conflito das Malvinas nesse último campeonato. E, claro, temos sempre também a generalizada onda “futebol-patrioteira”, tão nossa conhecida...

   O fenómeno é reconhecido, há tentativas de o explicar, mas vá-se lá perceber realmente o porquê destas estranhas e complexas afinidades e interdependências...

   Diga-se o que se disser, uma coisa parece certa. O Mundial de futebol é uma ocasião para o convívio pacífico e salutar das nações, a pretexto de um jogo que atrai multidões. E, ironia do destino, é um momento em que podem harmonizar-se opostos, num inesperado ambiente de fraterna igualdade... não vos parece?!?!?! (vide abaixo classificação final dos grupos) (Zé Paulo)

 

SELECÇÃO

JOGOS

VITÓRIAS

EMPATES

DERROTAS

PONTOS

GOLOS M

GOLOS S

Irão (D)

3

0

1

2

1

2

6

EUA (E)

3

0

1

2

1

2

6

 


sinto-me: Portugal! Portugal!!!

publicado por antmarte às 17:02
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2 comentários:
De José Raposo a 23 de Junho de 2006 às 17:34
Também é a forma como eu vejo a coisa. É verdade que já houve muitos aproveitamentos do fenómeno.
Mas não me parece particularmente critico a onda de entusiasmo com a selecção e o mundial. Além de ser um bocado piroso pendurar bandeiras viradas do avesso e de cabeça para baixo no estendal, o efeito é relativamente ínocuo pois não serve qualquer proposito politico.
Não invadimos países e até temos boas relações com quase toda a gente e sempre que acompanhamos a selecção é uma festa em qualquer parte do mundo. Por isso me parece que é legitimo celebrar este evento. Já não é muito normal é a falta de gestão de expectativas que fazemos que quase sempre resultam em grande dramatismo e depressão.


De Nuno Guronsan a 24 de Junho de 2006 às 11:02
Pois para mim este Mundial tem sido a constatação que o meu estado de "doente da bola" está num estado muito menos preocupante que há uns anos atrás. Apenas tenho seguido os jogos da nossa Selecção, quando dantes via quase todos os jogos do Mundial. Mas isto não significa falta de entusiasmo pela campanha da nossa Selecção, pelo contrário tenho vibrado com todos os jogos, mesmo aqueles em que as capacidades dos nossos futebolistas tem ficado aquém do esperado. Tenho festejado os golos com amigos e familiares, seja com uma cerveja ao lado, seja falando por telemóvel com os que estão longe de mim. Não há bandeira pendurada cá em casa (até agora...) mas todos estamos contentes e confiantes que Portugal vai ganhar à Holanda. Se isso acontecer faremos a festa, se isso não acontecer recordaremos os golos por muitos anos e voltaremos à vida as usual. Serei menos patriota por isso? Temos pena...


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