Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2006
ESTA VIDA SÃO DOIS DIAS



FELIZMENTE O CARNAVAL SÃO TRÊS

Segundo alguns historiadores, o Carnaval começa no princípio da nossa civilização e remonta à antiga Suméria e Egipto, na origem dos rituais, estão as celebrações da fertilidade e das colheitas nas primeiras lavouras, às margens do rio Nilo, há mais de seis mil anos atrás.
Na Grécia antiga, as celebrações faziam-se em homenagem a Dionísio, deus do vinho, da cultura e da transformação. Segundo a mitologia, Dionísio foi expulso do Monte Olimpo e sempre que regressava à Grécia nos primeiros dias da primavera era saudado pelos seus fiéis com danças exóticas e muitas bebidas.
Na Roma antiga, a festa era celebrada nas ruas pelas sacerdotisas que adoravam a Baco (nome latino de Dionísio). As sacerdotisas dançavam e gritavam por toda a cidade, provocando a desordem que contagiava as pessoas que passavam nas ruas. Mais tarde, as Saturnálias, em homenagem ao deus Saturno (Cronos, para os gregos) celebravam a liberdade e a igualdade entre os homens.
É na Idade Média que surge a palavra Carnaval que para uns, deriva de "carrum navalis", que eram os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C., mas para outros, a palavra surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao sétimo domingo, denominado de "quinquagésimo" deu-se o nome de "dominica ad carne levandas", expressão que seria sucessivamente abreviada para "carne levandas", "carne levale", "carne levamen", "carneval" e "carnaval", todas estas variantes são de dialectos italianos (milanês, siciliano, calabres, etc.) e que significam acção de tirar, que quer dizer: "retirar a carne" e refere-se à proibição religiosa do consumo de carne durante os quarenta dias que dura a Quaresma.
A civilização judaico cristã fundamentada na abstinência, na culpa, no pecado, no castigo, na penitência e na redenção renega e condena o Carnaval e muito embora os seus principais representantes fossem contrários à sua realização, no séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a sua evolução imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras e o permitiu em frente ao seu palácio, na Via Lata. Como a Igreja proibira as manifestações de carácter sexual no festejo, as novas manifestações adquiriram a forma de corridas, desfiles, fantasias, bailes e diversões em geral. Estava assim, reduzido o Carnaval à celebração mais ordeira, com um carácter mais artístico, com bailes e desfiles alegóricos.
Nos dias de hoje, temos diversos lugares célebres pelos seus festejos carnavalescos tradicionais e espectaculares que atraem muitos turistas, são: O Carnaval do Rio de Janeiro, o de Veneza em Itália, o de Santa Cruz de Tenerife, o de Oruro na Bolívia, e de Corrientes na Argentina e o da República Dominicana. Celebram-se nos diversos lugares de formas idênticas com desfiles de carroças, grupos de mascarados ou bailarinos vestidos num mesmo estilo.
No final de toda esta história de embriaguez medieval, gregas, romanas, espanholas, cariocas, negras, índias e de todas as cores, voltemos ao ponto de partida, porquê celebrar o Carnaval? Quem sabe porque somos, quem sabe porque devemos recordar de alguma maneira que somos todos iguais seja o rico e o pobre, o belo e o feio, o triste e o alegre, todos cantamos a algo, todos nos alimentamos para as épocas de seca, todos celebramos a vida. JF
In http://paulaperna.com.sapo.pt/carnaval.htm



publicado por antmarte às 02:13
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1 comentário:
De Anónimo a 2 de Março de 2006 às 12:31
Concordo plenamente.bonecarussa
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(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


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