Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Quarta-feira, 27 de Julho de 2005
Dinastia docente II - dos mestres aos discípulos
Francisco Oneto – “O Marinheiro”: herdeiro de uma das mais tradicionais cátedras, a da Etnografia Portuguesa, não hesitou em tomar novos rumos, deslocando-se da montanha para o mar. Nessa aposta arrojada adivinha-se-lhe a ousadia e abertura de horizontes, ao mesmo tempo que se lhe entrevê um frontal posicionamento ideológico em todo o discurso. Compreendamo-lo: conhecedor da dura realidade das populações marítimas, como não partilhar com elas uma visceral fraternidade, manifesta nas posições assumidas?
Filipe Verde – “O Sábio Louco”: aqui não há alternativa, este homem ama-se ou odeia-se (por ser conhecida a minha opção sou suspeito para escrever sobre ele). As suas aulas são como que um tornado de ideias, críticas, sugestões e desafios. Absorvidos nessa louca espiral de saber e interrogação, alguns podem sentir-se arrastados para fora de terra, mas trata-se apenas de se lhes sugerir mais altos voos, que só ganham em arriscar.
António Medeiros – “O Companheiro”: A sua propalada dificuldade de comunicação é provavelmente proporcional à riqueza daquilo que nos tenta transmitir. Alheados das “interferências”, o que encontramos é talvez um professor dedicado, delicado, com uma vontade imensa de partilhar ideias e reflexões, nas quais, se lhes dedicarmos a devida atenção, podemos encontrar pistas de trabalho muito frutuosas (do Minho aos saloios é um pequeno salto que se pode dar, por exemplo).
Filipe Reis – “O Bom Discípulo”: Aparenta a imagem paradigmática do discípulo. Com vantagens e desvantagens, supõe-se: se a “sombra” tutelar protege alguma preguiça (chamemos as coisas pelos nomes), a verdade é que isso parece prejudicial a uma maior liberdade de movimentos, que a espaços se dá a ver e revela um professor que pode ser entusiasmante.
Paulo Raposo – “O Popular”: discípulo aparentemente já mais emancipado, é figura muito popular entre os seus alunos. O pouco contacto do autor com este professor não permite maiores comentários, mas sempre se regista que os mapas mostrados nalgumas aulas do 1º ano surgiram como curiosos e pertinentes instrumentos de “descentramento anti-etnocêntrico”.
Maria João Mota – “A Neófita”: aparentemente a docente com maiores dificuldades em assumir a função, pergunta-se para quando uns movimentos mais soltos e a capacidade de olhar a turma de frente, que decerto ajudarão a tornar-se na boa professora de que já dá sinais (algumas atitudes no desempenho de funções de gestão talvez também não ajudem a poder olhar a turma de frente, diga-se em abono da verdade, mas o que lá vai, lá vai, amigos como dantes...). (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 16:54
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3 comentários:
De Anónimo a 16 de Março de 2006 às 11:33
Olá. fui aluna desta mesma licenciatura, tendo terminado o curso no ano lectivo 1995/1996. Só para dizer-vos que ri com boa gargalhada quando li as descrições feitas dos professores do curso. Parabens, brilhantes observações. Adorei o blog.
sw
Sofia Wahnon sofia wahnon
</a>
(mailto:sofiawahnon@hotmail.com)


De Anónimo a 27 de Julho de 2005 às 21:15
Frete - aluguer de embarcação, carro, etc; transporte fluvial ou maritimo, carregamento de navio, o que se paga por um transporte-...
Dicionário universal da lingua portuguesa da Texto Editora

Desculpa mas Não são permitidos esse tipo de comentários da tua parte.
Todos, ou quase todos nós, somos funcionários em qualquer lugar e por isso funcionámos dia e noite para alcançar aquilo que queriamos, passados que foram estes últimos 4 anos, a licenciatura em Antropologia, no nosso caso.
Não acredito que seja onde for que estejas ie trabalhes, estejas a fazer um "frete".
Mais que não seja pela capacidade de expressão, cultura e delicadeza que te conhecemos, nunca será um frete, conviver contigo num local de trabalho. Seja lá o que for que estejas a fazer.
Outro curso''''''''''???é que é já a seguir.
~Isabel Gradil

Isabel Guimaraes
</a>
(mailto:isabelgradil@yahoo.com)


De Anónimo a 27 de Julho de 2005 às 17:03
Sou eu ainda... Só para dizer que se dispensam comentários do tipo "este gajo não tem mais nada para fazer?!" Sabem que é verdade, que sou um funcionário a quem só se pedem alguns fretes e pouco mais, que fazer?
Se calhar qualquer dia faço outro curso. Entretanto dedico-me aos marcianos...Zé Paulo
</a>
(mailto:ilus@clix.pt)


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