Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Quinta-feira, 28 de Julho de 2005
Ainda a dinastia docente (III)
Brian O’Neill – “O Mestre Irreverente”: divertido, provocador, informal, também este professor se encontra nos antípodas do mestre clássico (será, talvez, um mestre pós-moderno?). E o ambiente aberto e descontraído das aulas não é nada alheio aos objectivos de ensino, pelo contrário, é nesta toada quase festiva que se vai comunicando o fundamental, o que nos faz chegar a esta altura dizendo como “foi bonita a festa, pá”.
Nélia Dias – “A Pedagoga”: conciliar assim o rigor, a riqueza e a qualidade dos conteúdos científicos com a preocupação na sua transmissão, é quase caso único. Se não o é, é decerto o que atinge maior perfeição (mais excepcional quanto se sabe que a “pedagogia” nem sempre é bem encarada nalguns meios académicos...). E nem se diga que o método e a organização se tornam monótonos, porque nunca se recusa a abertura à discussão e o inesperado também está presente (veja-se por exemplo como decorreu e como acabou de uma forma “refrescante” o primeiro ano de Antropologia dos Sentidos).
Miguel Vale de Almeida – “O Sereno”: o que esperar de um professor de quem se conhece intensa militância em causas sociais e políticas? Um professor activista? Pois bem, e se descobrirmos uma atitude mais propiciadora do debate, mais disposta a gerá-lo e ouvi-lo do que a nele tomar parte, moderadora, aberta, clara e equitativa? Assim não teremos aulas “debaixo de holofotes”, como se do barulhento espaço público se tratasse, mas descobriremos (não sem alguma surpresa) como pode ser rico e sereno o encontro com este professor.
Antónia Lima – “A Pirueta”: (não foi naturalmente a única, mas é de assinalar o estilo) “Olá! Bem vindos ao 3º ano. Já é altura de pormos em causa tudo o que têm aprendido até aqui. Exemplos? O parentesco, pode ser? Pois vamos lá...” A partir daqui (ou um pouco antes, já também, ok, mas é o estilo que se quer registar) nada será como dantes. Agora tudo começa a efervescer, num estilo tão paradoxalmente tranquilo quanto “explosivo” é o que se vai dizendo.
Clara Carvalho – “A Cínica” (o termo pode entender-se no sentido que lhe foi dado para designar uma corrente do pensamento grego da Antiguidade, ou seja, com intenções epistemológicas e não morais): o cepticismo é preciso, a desconfiança é útil e o ensino não tem que ser nenhuma festa nem ninguém tem de ser amigo. Estes professores fazem-nos falta para não nos entusiasmarmos tanto, para sermos atentos e prudentes. E, enfim, lá diz o ditado que “não há regra sem excepção”...
Manuel João Ramos – “O Mobilizado”: mobilizado para outras causas, não o está menos para partilhar o seu pensamento connosco. Talvez muita gente se espantasse se lhes fosse dito que o fluente comunicador de outras andanças revela algumas dificuldades de comunicação como professor. Mas novamente, se nos alhearmos das “interferências”, todo um horizonte de partilha de saber e reflexão se nos abre, mesmo (ou até mais) naquelas dispersões que por vezes nos levam sabe-se lá para onde.
Francisco Vaz da Silva – “O «Efabulador»”: os Contos são o seu território natural, em que entra e para que nos transporta como que atravessando um espelho mágico. Mas não só, este professor é até capaz de num truque de malabarismo transformar o “duro” Lévi-Strauss no menos estruturalista e mais contraditório dos pensadores, o que só mesmo um “mago” pode conseguir.
Graça Cordeiro – “A Urbanita”: porventura o exemplo mais acabado de identificação de um professor com uma cadeira: ela é a Antropologia Urbana, a Antropologia Urbana é ela. Isto fala também decerto da entrega, do empenho e do gosto postos no seu trabalho. Pena é que não a vejamos mais por aí, já que esta é uma cadeira de opção que só alguns frequentam (e que eu infelizmente frequentei muito pouco). (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 16:46
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