Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Sexta-feira, 29 de Julho de 2005
Dinastia docente IV – último capítulo: fugidos e convidados
João Leal – “O Desaparecido”: figura tutelar do nosso início de curso, cedo nos deixou, ainda que a sua presença tenha ficado marcada de uma forma que ele talvez não imagine, em jeito de “eminência parda”, já que se tornou no nosso professor mais referido e citado em trabalhos e bibliografias (Etnografia Portuguesa foi a cadeira das “Etnografias Portuguesas”, qual versão nacional do Stocking).
Joaquim Pais de Brito – “O Desejado”: funções “mais altas” chamam este professor e nas poucas ocasiões que tivemos de o encontrar deixou manifestamente um desejo de o vermos mais vezes. Talvez só ele, qual verdadeiro “desejado”, nos conduzisse ao “campo de batalha” dos sonhos de todos os etnógrafos, lá para os lados do nordeste transmontano.
Eduardo Costa Dias – “O Distraído”: Designado para altos cargos, desempenhando funções docentes a vários níveis, desenvolvendo relevantes actividades, pergunta-se como é que este bom homem não se perde de todo. Quem não se lembra como qualquer pergunta ou qualquer comentário propiciavam logo interessantes discussões, mas também digressões infinitas por assuntos infindos, nunca sendo possível regressar ao ponto inicial? Desorientação total mas interessante.
João Paulo Soares – “O Desgraçado”: na antropologia combate-se o preconceito e procuram-se atitudes abertas e disponíveis? Pois sim, ponha-se esta malta numa cadeira de números, contas, fórmulas, estatísticas e inferências e logo o preconceito vem à flor da pele. Asco é o sentimento que grande parte da malta alimenta relativamente aos Métodos Quantitativos, mas é pena, porque o desafio do diferente é estimulante e o professor um “porreiraço”.
Luísa Tiago Oliveira – “A Convidada Especial”: os condicionalismos do curso obrigam-na a dar história a 100 à hora, mas mesmo assim ela e nós gostamos. Exemplo da tendência exogâmica da malta, está sempre connosco – trabalhou com o professor Freitas Branco, tem o mestrado com ele e não desiste de ser sempre ela a professora da história “condensada” para antropólogos.
André Freire, Fátima Sá, António Costa Pinto – “Os Sortudos”: estes senhores viram-se livres de mim, não assisti às suas aulas, fiz apenas exames (com o André Freire gostei tanto que vou repeti-lo, lá para Setembro!), pelo que não me posso pronunciar quanto a eles. As suas cadeiras pareceram-me muito interessantes e foram louváveis as suas atitudes relativamente a este “forasteiro”.
Em suma, por entre as nossas escolhas, de leituras, de trabalhos e percursos, vamos também adoptando aqueles professores que são “só nossos”. Ao contrário dos Frazers, Malinowskis e outros da nossa predilecção, os professores sempre estão mais próximos (no ISCTE mesmo mais próximos do que noutros lados), pelo que é um enorme prazer poder desfrutar da sua companhia e partilhar com eles a experiência do conhecimento. É verdade, o que seria deles sem a gente? Mas afinal, o que seria também de nós sem eles?! (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 16:57
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1 comentário:
De Anónimo a 29 de Outubro de 2005 às 01:50
Olá Zé Paulo!

Estou mesmo a falar com o antropólogo-de filosofia-guia de Santarém?

Veja lá onde é que eu fui parar: nem sei com interpretar o 100 à hora no contexto português. lento? rápido?

Mas achei piada e parabénS PELA SUA DELICADEZA!

lUÍSA tIAGO DE oLIVEIRALUISA
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(mailto:LUISA.TIAGO@NETCABO.PT)


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