Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005
Trabalho de casa
O antropólogo observa o seu objecto, que neste caso são pessoas, e toma notas no seu bloco/caderninho.
As primeiras páginas preenchem-se rápidamente, as seguintes com mais dificuldade, a partir do meio o caderno/bloquinho é abandonado.
O antropólogo está farto. Tentou histórias sem vida, tentou uma observação participante, mas não muito, tentou o gravador como tanto lhe recomendaram. O antropólogo está farto. Farto.
"Já lhes conheço os passos, as manias, os rituais ou a falta deles, já lhes conheço o parentesco(?), a língua, o linguajar, os códigos, os olhares, os sonhos, os pensamentos". O antropólogo está cansado deste campo, frustrado das suas tiradas imaginativas para tornar o nada um pouco interessante e muito interessante o óbvio. Os informantes... os informantes são os de sempre: sempre as mesmas conversas, as mesmas pausas... "são muitos anos aqui metido" pensa o nosso antropólogo farto, cansado e frustrado.
Há que tomar uma decisão... o antropólogo olha à sua volta aquele terreno desgastado pelo seu olhar e pela sua caneta, abre a porta e grita "Vou à rua beber café".

Obrigado Zé Paulo por acolheres as nossas frustrações (Jorge Castro).


publicado por antmarte às 16:26
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2 comentários:
De Anónimo a 24 de Agosto de 2005 às 10:26
Já me tornei um leitor habitual das vossa antropologia marciana.

No entanto, parece-me que desapareceu um post que estava aqui ontem... ou estou enganado??Jose Raposo
(http://joseraposo.blogspot.com)
(mailto:jose_raposo@netcabo.pt)


De Anónimo a 18 de Agosto de 2005 às 09:44
Genial "Diário no Sentido Estrito do Termo", versão Jorge Castro!Zé Paulo
</a>
(mailto:ilus@clix.pt)


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