Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Terça-feira, 30 de Agosto de 2005
Sem tese
O antropólogo está no metro e pensa tomar notas sobre o que vê.

A carruagem é um campo muito curto e rápido: os que entram, os que saem, os que beijam, os que dormem (ou coisa parecida), os que riem, os que fixam um ponto no chão (aquele ponto que já todos vimos e não soubemos explicar), os que olham como se estivessem também a escrever, descrever.

É um campo curto e rápido o do antropólogo no metro que, entre duas estações, tenta formular uma hipótese para uma tese curta e rápida.

Não há hipótese para a vida do antropólogo no metro. (Jorge Castro)


publicado por antmarte às 12:47
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3 comentários:
De Anónimo a 30 de Agosto de 2005 às 20:05
Pois é caros colegas, permitam-me que lhes sugira um passeio de comboio pela linha do oeste, vão ter muito tempo para pesquisar, dado que o percurso é feito lentamente e a parar em várias estações... informo, para quem não sabe, a linha do oeste é composta por uma só via e o cruzamento de dois comboios é feita nas estações, por isso tempo não irá faltar para estudar os vossos objectos de estudo, mas será um trabalho de campo aliciante.:)Isabel Verissimo
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(mailto:isabelverissimo@megamail.pt)


De Anónimo a 30 de Agosto de 2005 às 16:18
O antropólogo é decerto um pós-moderno, porque escolhe o metro como terreno e porque fica sem tese, não há hipótese...
Fora antes um estruturalista, um funcionalista, um estrutural-funcionalista, ou até, quem sabe, ainda um evolucionista (versão neo, mas as versões neo costumam soar mal...), e o antropólogo decerto encontraria na rede de linhas do metro o diagrama perfeito do funcionamento de um qualquer grupo social...
Ou talvez lesse nos gestos e olhares dos indivíduos, por um golpe quase de magia, os seus sentimentos e representações. Mas então seria um hermeneuta, interpretativista ou assim...
Mas o metro é realmente um terreno e um tempo curto e rápido. Depressa o antropólogo chega à sua estação e tem de seguir para o seu verdadeiro trabalho, onde se enreda sem fim nas habituais rotinas.Zé Paulo
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(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 30 de Agosto de 2005 às 15:19
Porque não vais de autocarro?
A pé tambem é uma hipotese.jferraz
</a>
(mailto:jferraz@iol.pt)


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