Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005
“Os Amigos de Alex” ou nem tudo está perdido?
Ao meu velho e bom amigo Raposo (talvez o meu único leitor...)

“Todo futuro es fabuloso” – Alejo Carpintier

Numa escola de Gaia duas raparigas estão apaixonadas. A conjugação da juventude com a paixão resulta numa força extraordinária e maravilhosa, que dificilmente pode ser travada. Entrevemo-las a passearem pela escola, de mão dada e a trocarem beijos e carícias, como é natural da paixão.
Mas logo o preconceito e a pequenez mesquinha e retrógrada irromperão como forças das trevas, dessas que infelizmente ainda perduram no nosso âmago. Do Conselho Executivo da escola sairá uma ordem censória e despropositada, ainda que disfarçada pela retórica inteligente expectável num corpo docente.
Uma das jovens falará aos media, com a imagem desfigurada e a voz distorcida, como é natural quando se instala uma cultura do medo. O seu discurso é a voz da inocência e da liberdade, dessa liberdade cujo valor os adultos muitas vezes reclamam não ser reconhecido pelos jovens. Afinal, aqui são os jovens que pugnam pela liberdade, dispensando supostas lições de moral e cidadania.
Entretanto ouvir-se-ão falar também dois jovens da Associação de Estudantes da escola, num discurso de coerência, civismo, abertura de espírito e algum idealismo não descabido.
Por entre tudo isto lembro-me de outros rapazes, noutros tempos (também não há tanto assim...), cujas lutas se incrustavam no mesmo idealismo e genuinidade juvenis. E a essa lembrança sou invadido por um sorriso benévolo.
Mas não é da tendência “Amigos de Alex” que se quer falar nestas linhas. O que podemos talvez aprender com a situação de que falo é que nem tudo está perdido... e que não faz mal acreditar, por pouco tempo que seja, que é possível mudar o mundo... (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 14:53
link do post | comentar | favorito
|

21 comentários:
De Anónimo a 17 de Novembro de 2005 às 14:42
Estamos salvos, JC voltou! A tua ausência pareceu de 2000 anos, e como precisávamos de ti! Obrigado por nos concederes esta graça! (mas fora de brincadeira, precisamos mesmo da tua companhia, com mais uns escritos e assim... aparece sempre!)Zé Paulo
</a>
(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 17 de Novembro de 2005 às 12:30
Para já peço desculpa pelas minhas ausências.
Gostei muito desta história, que não conhecia. Gostei muito da maneira como foi contada, como já vem sendo hábito no Zé Paulo.
Gosto muito de vos ver... aqui!
Abraço (JC)JC
</a>
(mailto:ph3.central@netcabo.pt)


De Anónimo a 16 de Novembro de 2005 às 11:47
Zé estás a ver como afinal eu não o teu único leitor? Afinal tens uma verdadeira plateia. Tb me parece que algum destes comentários deveriam ser promovidos a artigos.José Raposo
(http://joseraposo.blogspot.com)
(mailto:jose_raposo@netcabo.pt)


De Anónimo a 16 de Novembro de 2005 às 09:31
Amiga, que regresso em pleno! Mas pelo tamanho e inspiração os teus textos deviam surgir como artigos do blog, não como comentários... (ainda problemas com a técnica da publicação? Se for o caso volta a falar-me, que fazemos uma "revisão da matéria")Zé Paulo
</a>
(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 15 de Novembro de 2005 às 16:56
Por existir me cegam,
Me estrangulam,
Me julgam,
Me condenam,
Me esfacelam.
Por me sonhar em vez de ser me insultam,
Por não dormir me culpam
E me dão o silêncio por carrasco
E a solidão por cela.
Por lhes falar, proíbem-me as palavras,
Por lhes doer, censuram-me o desejo
E marcam-me o destino a vergastadas
Pois não ousam morder o meu corpo de beijos.
Passo a passo os encontro no caminho
Que os deuses e o sangue me traçaram.
E negando-me, bebem do meu vinho
E roubam um lugar na minha cama
E comem deste pão que as minhas mãos infames amassaram.
Com angústia e com lama.
Passo a passo os encontro no caminho.
Mas eu sigo sozinho!

Dono dos ventos que me arremessaram,
Senhor dos tempos que me destruíram,
Herói dos homens que me derrubaram,
Macho das coisas que me possuíram.

Andando entre eles invento as passadas
Que hão-de em triunfo conduzir-me à morte
E as horas que sei que me estão contadas,
Deslumbram-me e correm, sem que isso me importe.

Sou eu que me chamo nas vozes que oiço,
Sou eu quem se ri nos dentes que ranjo,
Sou eu quem me corto a mim mesmo o pescoço,
Sou eu que sou doido, sou eu que sou anjo.

Sou eu que passeio as correntes e as asas
Por sobre as cidades que vou destruindo,
Sou eu o incêndio que lhes devora as casas,
O ladrão que entra quando estão dormindo.

Sou eu quem de noite lhes perturba o sono,
Lhes frustra o amor, lhes aperta a garganta.
Sou eu que os enforco numa corda de sonho
Que apodrece e cai mal o sol se levanta.

Sou eu quem de dia lhes cicia o tédio,
O tédio que pensam, que bebem e comem,
O tédio de serem sem nenhum remédio
A perfeita imagem do que for um homem.

Sou eu que partindo aos poucos lhes deixo
Uma herança de pragas e animais nocivos.
Sou eu que morrendo lhes segredo o horror
de serem inúteis e ficarem vivos.

Ary dos SantosIsabel Guimaraes
</a>
(mailto:isabelgradil@yahoo.com)


De Anónimo a 15 de Novembro de 2005 às 16:54
A vossa vontade será feita

Eu vou tentar, prometo, que destes versos
Não saia uma canção mal comportada
Eu vou tentar não falar do que acontece
Eu vou tentar falar sem dizer nada.

Não vou, por isso, falar da exploração
Nem sequer do amor à Liberdade;
Da luta pela terra e pelo pão
E do apego à Paz da humanidade.

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Vocês preferem que eu vos fale
De grilos a cantar e gambuzinos?
A vossa vontade será feita
Eu calarei a fome dos meninos.

Vocês preferem que eu vos cante
Sem vos lembrar os tiros e as facas?
A vossa vontade será feita
Eu calarei o frio das barracas.

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Vocês preferem que eu vos fale
Com um sorriso a iluminar-me as trombas?
A vossa vontade será feita
Eu calarei o estilhaçar das bombas.

Vocês vão gostar que eu não cante
A luta de nós todos todo o ano
A vossa vontade será feita
Não falarei do povo alentejano

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Não falarei do luxo e da miséria
Não falarei do luxo e da canseira
Não falarei das damas, das mulheres
De tudo o que se passa à nossa beira

Não falarei do Amor, nem da Verdade
Nem do suor deixado no trigal;
Eu não ofenderei vossas excelências
Nem a civilização ocidental!

(Alfredo Vieira de Sousa, 1976)
Isabel Guimaraes
</a>
(mailto:isabelgradil@yahoo.com)


De Anónimo a 15 de Novembro de 2005 às 16:47
És Um HOMEM, Se...

Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,

Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,

Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E não caluniares os que te caluniam,

Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,

Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,

Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,

Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,

Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!

Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,

Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,

Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,

Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo que nela existe

E não receies que te o tomem,

Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.

Rudyard Kipling



Beijinhos FerrazIsabel Guimaraes
</a>
(mailto:isabelgradil@yahho.com)


De Anónimo a 15 de Novembro de 2005 às 16:41
O único!!!!! Que crueldade Sr. Zé Paulo, que perversidade......
Estive longe é verdade, mas voltei, ou apareci de novo, sei lá. Sei que tenho saudades de todos e vontade de estar convosco.
Claro que é possivel mudar o mundo, e não é isso ao fim e ao cabo que estamos todos a fazer, de uma forma ou de outra, para bem e para o mal?
Mas muita atenção amigos Antropologistas, é preciso lutar, porque vale a pena, porque SÓ ASSIM É QUE VALE A PENA.

Não te perdoo Sr Jorge Ferraz, então dói dói e só agora é que nos dizes, como é que te podemos dar mimo....bananas, flores, garrafas de água mineral, desgraçado, pindérico, bicha, fala connosco mais vezes .Eu estou sempre aqui ou no meu email, para o que der e vier, colega aprendiz de doutor. Quero já um encontro um xázinho, ver as vossas caras, todas.
O que queremos todos, mais do que isso; VER???
Para ti muito em especial a mensagem de que tudo isto, a vida e todas as suas circunstancias são um grande combate e o verdadeiro guerreiro não foge nem se lastima, nem se esconde, enfrenta e no fim, corta as pontes.
Vale a Pena Lutar Ferraz.
Bejos


Isabel Guimaraes
</a>
(mailto:isabelgradil@yahoo.com)


De Anónimo a 15 de Novembro de 2005 às 14:45
Em aditamento às referências do nosso tirânico Delegado, informo: as actualidades que ele quer que a malta leia são: Público de 12/11, notícia da p. 11 e artigo de opinião da p. 14; Público de hoje, notícia da p. 10. E preparem-se, porque o Ferraz dos debates de Antropologia Social II pode estar de volta, a qualquer momento... (tchiii...)Zé Paulo
</a>
(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 14 de Novembro de 2005 às 19:10
Vamos por partes:
1º Zé Paulo, não passa dia nenhum que não vá ao teu/nosso blog. Ok, sei que não me esmero muito e que não escrevo nada, contudo não deixo nunca de espreitar as novidades e os artigos que vais escrevendo. Não pertencendo à já tão famosa AE2, pois continuo no activo (não faço parte dos pobres e saudosos reformados), mas estou cá. Nunca irás escrever para o dito "boneco", também escreves para as "bonecas" das tuas antigas colegas (não me refiro a mim em particular mas a todas), continua, o teu estimulo é necessário e muito precioso.
2º Dr. Ferraz. Apesar de já não considerar o pessoal que está no activo, digno de ser considerado seu colega, não deixo de lhe desejar as rápidas melhoras e muita força. A vida é para a frente, não nos podemos deixar abater com os pequenos/grandes obstáculos que ela nos coloca. Embora não pertencendo (ainda) ao clã dos DR's, estou cá para o que precisar. Rosário Dias
</a>
(mailto:rosarioiscte@gmail.com)


Comentar post