Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Domingo, 4 de Dezembro de 2005
A Minha Homenagem
A reconversão de personalidade política em personagem mítica parece ter conferido a Francisco Sá Carneiro um lugar seguro no imaginário histórico de Portugal. É o preço, de uma só vez linear e cruel, de uma vida violentamente abreviada. Mais do que isso é o saldo implacável de uma morte para sempre assombrada pela ambiguidade que nasce da frieza da tragédia, cruzada com as dúvidas e especulações sobre a maldade humana.
…
Tanto nas clivagens políticas como na violência romântica, talvez seja essa a herança mais difícil de Sá Carneiro: obrigar-nos a pensar o que não queremos dizer
in DN 4-12-2005
Jorge Ferraz


publicado por antmarte às 19:11
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4 comentários:
De Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 14:22
Eh, ó Gonçalves, olha aí... hard core de primeiríssimo escalão!Zé Paulo
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(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 12:18
O defensor deste senhor é o mesmo que defende o Carlos Cruz.
Chega assim?Zé Gonçalves
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(mailto:jgoncalves@cm-oeiras.pt)


De Anónimo a 5 de Dezembro de 2005 às 10:40
Ainda que de uma área política distante, concordo que se homenageie Sá Carneiro como uma personalidade marcante do nosso período pós-revolucionário. Discordo da ideia de "colaboracionismo" do Zé Carlos, porque bem vistas as coisas Sá Carneiro também combateu o regime, de algum modo - desde o seu interior, mas combateu-o, procurando reformá-lo. E quando viu que não era possível, abandonou-o. Defensor de um projecto em que não me revejo completamente, não esqueço causas importantes que na altura defendeu: a ligação à Europa, uma certa "desmilitarização" da política, etc.. À sombra de Sá Carneiro, um político de ideias, tentam hoje sobreviver alguns, nomeadamente o por muitos considerado seu sucessor, um senhor Professor "a-político" (?!) e sem muitas ideias, que tem como "Presidente da Comissão de Honra" precisamente um dos maiores adversários do líder histórico da AD, que o combateu até à hora da morte. São as armadilhas da história... mas isto já são conversas dos nossos dias, de Sá Carneiro fica o registo da história, que alguns interesses quiseram mitificar, mas que nós devemos saber respeitar.Zé Paulo
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(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 4 de Dezembro de 2005 às 23:36
Mitificar eis a questão. Sim ou não? Como poderemos saber se o seria? De boas intenções está o inferno cheio, a personalidade em análise, morreu fatalmente como poso morrer eu, até prova em contrário fui um acidente, a imaginação pode levar-nos a supor tudo e mais qualquer coisa. Mas o que realmente interessa é pensar se Sá Carneiro seria uma espécie de salvador da pátria, um D. Sebastião não vindo do nevoeiro, mas da espuma da revolução dos capitães. Não me parece, deputado no regime fascista, torna-o colaboracionista, um homem de dignidade nunca aceitaria tal lugar, e depois do 25 de Abril, defensores da democracia houve-os tantos, que só nos resta olhar a obra feita. E essa é curta demais para projectar-mos futuros mitológicos. A não ser que num país há procura de si próprio, que nunca se encontrou, qualquer um sirva para dar-se aos sentimentos de saudade, que dessa já temos que chegue. Abraços.
Das Neves
</a>
(mailto:josecneves@netvisao.pt)


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