Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005
Rabugices suburbanas
palhaco_natal2005.jpg

Na estação de Entre Campos dois palhaços distribuem pequenos folhetos publicitários da CP. “Este natal levamos o pai, a mãe e o filho no comboio ao circo”. A mensagem, invocando recordações de velhos anúncios de boa memória, é apelativa.
Mas suburbano não vai em conversas. Antes prefere lembrar-se de mais um anúncio da eterna falência da CP.
Soluções? A de sempre, que parece revelar-se pouco eficaz: fechar linhas e ramais, aprofundando o isolamento e as dificuldades de mobilidade de populações já de si fragilizadas.
As linhas suburbanas, das que mais passageiros transportam na Europa, dão prejuízo. Suburbano espanta-se.
Os vencimentos chorudos e as regalias incontáveis dos gestores da empresa decerto fazem mossa. A divisão em diferentes empresas acarretou também talvez mais custos do que benefícios.
Entretanto, a União Europeia recomenda que até 2010 o transporte ferroviário seja liberalizado. “Hum...”, suburbano sorri, “uma vez privatizada, a CP torna-se numa empresa de sucesso. Aposto!” Só não está certo que o serviço público que deveria garantir seja assegurado. “Não é compatível com a racionalidade empresarial mais vigente por estas bandas...”
Por entre estes pensamentos ocorre a suburbano se não deveria dar um abraço fraterno aos palhaços que vagueiam pela estação. No fundo, bem vistas as coisas, parece-lhe ter sido esse também o papel que a CP reservou para todos os seus passageiros...
Mas talvez estas cogitações não passem de rabugices de um suburbano, irritado por nessa manhã não ter arranjado lugar sentado para dormir ou folhear as páginas de um livro durante a sua viagem. (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 11:00
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2 comentários:
De Anónimo a 12 de Dezembro de 2005 às 22:10
Paravas para quê??
Como diz o fado
"é uma empresa publica com certeza
é com certeza uma empresa publica portuguesa"miguelinho
</a>
(mailto:miguelgmacedo@netcabo.pt)


De Anónimo a 12 de Dezembro de 2005 às 16:29
Olha lá, o Suburbano não era eu? Meu amigo não consigo compreender o alcance das suas palavras... é claro que para a CP ser privatizada o estado tem de asegurar que o passivo está pago porque senão ninguém lhe pega... depois com as contas limpinhas claro que vai ser um sucesso... é sempre assim
José Raposo
(http://joseraposo.blogspot.com)
(mailto:jose_raposo@netcabo.pt)


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