Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2006
Ano novo, vida...
Mais ou menos uma semana, cerca de uma dúzia de dias. É o suficiente para dar cabo de todos os votos e expectativas de Ano Novo.
Os candidatos presidenciais baralham-nos ao procurarem baralhar-se. A Segurança Social parece estar falida, não fosse isso um argumento demagógico tipo “olh’ó papão!”, havendo que temer mais a incompetência ou má-fé dos governos do que o fim das reformas. No meu serviço também há falta de dinheiro (cf. CM de hoje), estando em risco a continuidade do trabalho (ao menos se não houver trabalho, não há horas extraordinárias, resolve-se outro problema do pessoal...). Aliás, de um modo geral o dinheiro esgota-se por todo o lado, e “em casa onde não há pão...”. Mas já a empresa que ganhou uma obra do metro (cf. DN de hoje), a que curiosamente o administrador deste já pertenceu, não deve estar com problemas financeiros. “Em terra de cegos...”
Depois há o regresso à confusão dos transportes, o raio da Madonna que continua a zunir-nos aos ouvidos no metro, no trabalho os fretes do costume ou as (também costumeiras) brilhantes medidas de gestão de pessoal, que não podem deixar de nos afectar (negativamente, é óbvio!)...
É, rapaz, convence-te, isto do ano novo, dos votos e expectativas não passa de uns meros dias de festa, em que talvez alguns excessos te turvem a lucidez. O ano é novo? Acorda, a vida é velha.
Ou se não quiseres perder a esperança (a esperança, ainda e sempre...), convence-te disto: para ser “ano novo, vida nova” tens que batalhar bastante. Mesmo que contra ventos e marés, mesmo que contra ti mesmo (as inércias, a náusea, algum vazio...). E mesmo assim nada é garantido... (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 15:16
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4 comentários:
De Anónimo a 13 de Janeiro de 2006 às 11:25
O que não faz o triunfalismo (cavaquista) antecipado... como este homem anda inspirado!Zé Paulo
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(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 13 de Janeiro de 2006 às 00:13
Meu caro Zé. Antes de divagar sobre o sebastianismo em texto próprio, deixa-me recorda-te um pouco da cultura antropológica. Não podes pensar em tolerar ou não a exogamia faz parte de nós “nobre povo nação valente”. Pertencemos à diáspora, que nos movimenta para além do tempo, na procura, “por mares nunca dantes navegados”, de tudo aquilo que não encontramos, não construímos, dentro da nossa territorialidade. Se bem te recordas, se desvantagem existiu na exogamia vantagem adveio com ausência do incesto. E, fala a experiência própria, a galinha do vizinho é sempre mais gorda que a nossa. JFjferraz
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(mailto:jferraz@iol.pt)


De Anónimo a 12 de Janeiro de 2006 às 10:06
1ª Não te atrevas a "instalares-te" no Suburbano e deixar a gente aqui, exogamias não serão toleradas. Além disso, vê se te portas como deve ser, quando por lá passares... 2ª Essa do "lamuriento" soa-me a soberba de presumido vencedor, tipicamente cavaquista, mas enfim... 3º Julgo perceber-se que o tom do artigo não pretende ser o de um "Diário no sentido estrito do termo", ou qualquer tipo de "confissões". Procura-se apenas exprimir a experiência de um olhar para o que se passa em volta, muito particular, mas que pode ser partilhado em algo, como partilhada se pretende a ideia final do texto, que no fundo não é mais do que uma nova mensagem de Bom Ano para todos... 4º Assim, e finalmente, amigo Ferraz, "lamuriento" (da outra vez era "choramingas") é o RAIO QUE TE PARTA!!! Ah, e a poesia é sempre bem vinda, claro, agora não contes é comigo para o festim cavaquista, isso não, nunca!Zé Paulo
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(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 11 de Janeiro de 2006 às 22:37
Pois é meu caro Zé Paulo. Tanta lamúria te invade a alma. “Quando n’alma pesar de tua raça/A névoa da apagada e vil tristeza”. Não fui quem escreveu isto tão pouco quem votou PS/Sócrates. Mas não desesperes, estou certo que 2006 dar-te-á mais que uma “apagada e vil tristeza”. A propósito, já pensaste estar ao lado do bolo-rei em vez das “apagada e vil” favas? JFjferraz
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(mailto:jferraz@iol.pt)


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