Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2006
Manifesto eleitoral
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“Porque vivemos num mundo de abstracção, de administrações e de máquinas, de ideias absolutas e de um messianismo sem matizes. Abafamos no meio de pessoas que julgam ter absolutamente razão em relação às máquinas ou às ideias. E para todos aqueles que não podem viver privados do diálogo e da amizade dos homens, o silêncio é a pior das coisas.”
Albert Camus - “O Século do Medo”, in “Actuais I”, 1950

Quão actuais me pareceram estes "Actuais"! Depois dos duros tempos do pós-guerra, temos hoje um tempo de esquecimentos e indiferenças, que também não augura nada de bom. É um tempo propício ao surgimento de novos Sebastiões, envolvidos na névoa do ressentimento e da demagogia ardilosa... (Zé Paulo)


publicado por antmarte às 14:59
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2 comentários:
De Anónimo a 13 de Janeiro de 2006 às 11:44
Ai o que eu poderia dizer deste texto (não o devias ter posto só como comentário, podias pô-lo como "principal")! Mas acho que me vou conter... Sublinho só o interesse das referências ao estudo dos mitos, mas já a mitologia do texto... Mas ó Ferraz, já agora, que andas com ideias de renascer de Alácer Quibir, lembras-te de uma referência que uma vez fiz ao "Frei Luís de Sousa"? É que quem se entrega assim ao mito deve relembrar o peregrino que volta e a tragédia que não é só sua. "Quem és tu, peregrino?" Destruído ele só já era "Ninguém", mas o seu nome era João de Portugal e na interpretação de Eduardo Lourenço era Portugal que respondia "Ninguém", perdido nos seus devaneios míticos...Zé Paulo
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(mailto:ilus@clix.pt)


De Anónimo a 13 de Janeiro de 2006 às 01:38
PORTUGAL MAIOR

O Sebastianismo emerge como um movimento místico que prevalece até aos dias de hoje e tem origem histórica no século XVI como consequência da morte de el-rei Sebastião. Fosse o que fosse, a falta de herdeiros ao trono, ou o receio deste vizinho que segundo a lenda nem sempre vem nem bom vento nem bom casamento.
O povo, sempre o povo, nunca aceitou o facto, e manteve a esperança, que o rei se encontrava vivo, apenas esperava o momento certo para regressar numa manha de nevoeiro. Esta é a lenda que hoje se mantêm. A história deu-lhe o cognome do Desejado. O povo e o tempo fizeram dele um Mito.
Depois de 1640, que hoje muitos lamentam que esta data tenha acontecido, este movimento começou a esmorecer pelo facto do novo rei ter dado conta do recado. As gloriosas batalhas da Restauração que aprendemos na 3ª classe. Hoje o sebastianismo sobrevive no imaginário português. Ele transporta em si a tragédia, o sofrimento e a esperança, -estereótipos do mito -, que nos alimenta, na angústia de um povo que ate hoje sobrevive de crise em crise.
Se aos dias 12 de Janeiro de 2006, 60% do povo, outra vez o povo, manifestam vontade de votar no “Desejado” é porque as angústias vivenciais dos últimos anos criaram o terreno prolífero para o nascimento de um novo mito. Aí está um. El-rei D. Cavaco. E como sabes ele nunca disse que era “republicano socialista e laico”. Bem pode ser o nosso Rei, e não apenas o Homem do bolo-rei.
“São os mitos que deram sustentação à vida humana, construíram civilizações e enformaram religiões, profundos mistérios profundos limiares de travessia” “são manifestações da alma humana e por isso identificáveis em quase todas as culturas, são “sonhos arquetípicos” da humanidade que afloram independentemente do isolamento dos grupos (Joseph Campbell O Poder do Mito.)
É neste clima de incerteza e medo que o povo português identifica Cavaco Silva como o seu Messias, aquele que conduzirá Portugal ao seu destino, à prosperidade a um PORTUGAL MAIOR.
E como sabes é do domínio comum “que o povo nunca se engana”
Joseph Campbell, considerado como um dos maiores mitólogos de todos os tempos. Nasceu no dia 26 de Março de 1904, na cidade de New York, USA. Para Campbell, a riqueza dos mitos não está em elucidar ou revelar algum tipo de significado para a vida, mas o de ser um registro simbólico da própria experiência de estar vivo. O mito capta a vida no seu eterno fluir. Joseph Campbell morreu em Honolulu, Havaí, em 30 de Outubro de 1987.
jferraz
Jorge Ferraz
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(mailto:jferraz@iol.pt)


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