Ponto de encontro da turma da noite de antropologia, do ISCTE, 2001-2005
Terça-feira, 25 de Julho de 2006
Fora de órbita

   A todos os cúmplices da fantástica jornada antropológica, com um renovado agradecimento pelo companheirismo e um abraço grande e amigo. (Zé Paulo)

 

   “Não compreende o que quero dizer? Confesso-lhe que me sinto cansado. Perco o fio do discurso, já não possuo aquela clareza de espírito à qual os meus amigos se compraziam em prestar homenagem. Digo amigos, aliás, por princípio. Já não tenho amigos, não tenho senão cúmplices. Em contrapartida, o seu número aumentou, são o género humano. E, no género humano, é o senhor o primeiro. O que está presente é sempre o primeiro.” – Albert Camus, “A Queda”

 



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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
Pensar o mundo ou transformá-lo?

            Em particular para o grande amigo Zé Carlos, com os Parabéns pela conclusão do curso, mas também para todos quantos imaginam poder mudar o mundo, nomeadamente através das ciências sociais

 

            “Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo”

                        Ricardo Reis, “Odes”

 

   São palavras provocadoras estas, que podem suscitar infindas discussões e desafiar-nos, como aconteceu ao Saramago, que a propósito delas terá escrito o seu “Ano da Morte de Ricardo Reis”. No fundo, talvez não passem de uma outra forma de enunciar aquela velha disputa entre reflectir e agir, que tem uma já longa tradição na nossa história.

   Pode a nossa vontade mover mundos, ou nem uma partícula de pó mudará com a nossa passagem pela terra? Chamaremos sábio àquele que se contenta com a contemplação do “espectáculo do mundo”, ou antes àquele que se dedica a tentar transformá-lo?

   Conhecendo como julgo conhecer o(s) destinatário(s) deste texto, julgo saber bem qual o sentido de escolha nesta dicotomia. Enfim, talvez nem sequer se trate de uma verdadeira dicotomia, mas lembrei-me de a trazer aqui como uma pequena provocação.

   Que a determinação do teu querer, amigo, nunca separada de uma busca incessante da lucidez, te permita fazeres o mundo pular e avançar, como a célebre “bola colorida / entre as mãos de uma criança”.

   Um abraço grande! (Zé Paulo)



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Sexta-feira, 23 de Junho de 2006
Não só uns chutos na bola

   Por esta altura é quase inevitável que todos falemos da bola, a propósito do Mundial 2006. Nem que seja para criticarmos a (supostamente?) excessiva dependência do povão pelo jogo, em vez de discutirmos os resultados e exibições.

   Mas de onde vem essa importância do jogo, que extravasa em tanto as quatro linhas?

   A 2 tem passado um interessante documentário, que fala um pouco disso, também. Recorde-se, a título de exemplo, o Maracanã espantosamente silenciado de 1950, o aproveitamento político da vitória argentina de 78, a revenge democrática de 86, ou a reedição do conflito das Malvinas nesse último campeonato. E, claro, temos sempre também a generalizada onda “futebol-patrioteira”, tão nossa conhecida...

   O fenómeno é reconhecido, há tentativas de o explicar, mas vá-se lá perceber realmente o porquê destas estranhas e complexas afinidades e interdependências...

   Diga-se o que se disser, uma coisa parece certa. O Mundial de futebol é uma ocasião para o convívio pacífico e salutar das nações, a pretexto de um jogo que atrai multidões. E, ironia do destino, é um momento em que podem harmonizar-se opostos, num inesperado ambiente de fraterna igualdade... não vos parece?!?!?! (vide abaixo classificação final dos grupos) (Zé Paulo)

 

SELECÇÃO

JOGOS

VITÓRIAS

EMPATES

DERROTAS

PONTOS

GOLOS M

GOLOS S

Irão (D)

3

0

1

2

1

2

6

EUA (E)

3

0

1

2

1

2

6

 


sinto-me: Portugal! Portugal!!!

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Quinta-feira, 22 de Junho de 2006
Da (falta de) educação

   Eis a imagem dos professores que decerto resulta do que se ouviu no Fórum TSF da manhã de hoje.

   Parabéns senhora ministra, os seus objectivos estão alcançados! E sendo assim, porque não ir-se embora?! (Zé Paulo)


sinto-me: chateado ("Eles falam, falam")

publicado por antmarte às 11:58
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2006
“Destak”

   Se uma passagem por aqui pode sempre ser interessante e aprazível, os artigos “Jornalismo de bitaites” (sobre como a antropologia é vista, a propósito de uma crítica ao livro do professor António Medeiros) e “Universidade e ciência à bolonhesa” (tema evidente e premente) justificam este destaque e a chamada de atenção de todos. Para ler, pensar e discutir. (Zé Paulo)



publicado por antmarte às 15:05
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“Ou há justiça ou comem todos”...

   Na senda da saga justiceira do nosso governo, que pretende acabar com os regimes especiais de privilégios de alguns trabalhadores, venho por este meio protestar contra uma situação que persiste e que passa quase despercebida, perpetuando mais uma grave injustiça social.

   Nas notícias da noite de ontem na RTP ficámos a saber que os cães das brigadas de detecção de explosivos da polícia se reformam ao fim de cinco anos de actividade... um regime ainda mais vantajoso do que o dos nossos nobres deputados! Não há direito... (Zé Paulo)



publicado por antmarte às 14:32
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Quarta-feira, 14 de Junho de 2006
Do Mundial ou 2ª época de Etnopsicologia Futebolística

   Há dois anos atrás, em pleno Euro 2004, surgiu entre a nossa turma um exame apócrifo de uma suposta cadeira de Etnofutebolgrafia Portuguesa. Não sei se alguém o recorda, mas tratava-se de propor um comentário a um excerto de “Os elementos fundamentais da cultura portuguesa”, de Jorge Dias, com base na carreira que a selecção nacional então fazia no campeonato.
   Agora está aí o Mundial, não em todo o seu vigor, porque a Sport TV não é para todos, mas isso não impediu nova erupção da onda “futebol-patrioteira”, bem expressa nas bandeirinhas nas janelas. Talvez seja então uma boa oportunidade para voltarmos a estas complexas questões do “ser português”, aproveitando a época do “pontapé na bola” para fazermos uso do nosso bom “jogo de cabeça”...
   Assim, com a citação (desculpar-me-ão se muito extensa) de alguns fragmentos da obra, deixo-vos então uma sugestão de leitura, que me parece sempre profícua, mas que talvez seja agora mais oportuna do que nunca, para que isto do sentimento da identidade não pareça tão condicionado à bola que entra ou à bola que bate no poste...
 
“Nem o sebastianismo nem a saudade, postas em relevo por António Sardinha, nem o universalismo internacionalista, propalado por vários autores, nem o lirismo sonhador aliado ao fausto germânico e ao fatalismo oriental, apontados por Jorge Dias, nem a plasticidade do homem português, intuída por Natália Correia, nem o culto do Espírito Santo, que fascinou António Quadros, nem a capacidade para criar uma «filosofia portuguesa», patrocinada por Sampaio Bruno, Álvaro Ribeiro e José Marinho, nem mesmo a «brandura dos costumes», feita lugar comum, se podem considerar como características mais do que imaginárias do povo português. (...)
   A sua generalização, no entanto, torna-se extremamente discutível. Por outro lado, a sua formulação dificilmente se pode desprender de conotações emotivas. Enfim, ao pressupor-se que resultam da própria «natureza» dos portugueses e não de condições sociais transitórias, levam a considerá-las como inalteráveis e sugere-se, até, que devem ser consideradas como «qualidades», mesmo quando implicam alguns defeitos. Pelo contrário, se os caracteres comportamentais se encaram como resultantes das condições sociais, terão de se tomar como susceptíveis de modificação. A sua alteração depende em grande parte do grau de desenvolvimento económico e social e não pode ser considerada como perda de identidade nacional.
   Este facto exclui o conceito de identidade nacional como um dado da «natureza» ou como um problema no âmbito do «ser», mas não necessariamente a sua permanência, ou pelo menos a sua durabilidade. Com efeito, é fundamentalmente um fenómeno de consciência colectiva, que se baseia, por um lado, numa percepção das diferenças comuns verificadas em relação à população de outros países, ao nível das estruturas sociais, das manifestações culturais (nomeadamente da língua, dos hábitos e dos valores) e, por outro lado, de uma certa percepção do passado comum. Dado que o fenómeno da identidade não pode deixar de se associar ao da busca de segurança, por meio da integração do indivíduo no grupo, e que o sentimento de pertença ao todo nacional se tornou nas sociedades modernas uma expressão fortemente interiorizada da consciência de grupo, pode-se prever que as suas características se alterem com a mudança das condições sociais, mas não é de esperar que desapareçam facilmente.”
            José Mattoso – A Identidade Nacional; Fundação Mário Soares/Gradiva,
Lisboa, 2003
 

   Esta citação dava “pano para mangas”, não? Que sirva ao menos para vos desafiar à leitura e reflexão, por entre as façanhas da nossa selecção... (Zé Paulo)



publicado por antmarte às 12:14
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2006
Um livro, um amigo

   O título de hoje não pretende trazer aqui qualquer slogan publicitário implícito. Nem quer fazer-se anúncio da Feira do Livro, que todos já sabemos estar a decorrer.

   Embora um pouco em cima da hora, aquilo de que vos quero falar é o que se descreve mesmo no título – um livro e um amigo, ou um livro de um amigo.

   É que hoje, pelas 17 horas, no ICS (sala 02) o nosso professor e amigo António Medeiros vai lançar o seu livro “Dois lados de um rio. Nacionalismo e etnografias na Galiza e em Portugal”, que julgo resultar da edição da sua tese de doutoramento. A apresentação da obra estará a cargo de outro professor e amigo, Brian O’Neill (orientador da tese), e do professor José Manuel Sobral, do ICS.

   Para os interessados nestes temas e reflexões (como eu) é uma excelente oportunidade de a eles voltar. Mas é também para todos uma óptima ocasião de revermos caras amigas e como que regressarmos aos bons velhos tempos das aulas.

   Apareçam!

(Um agradecimento especial ao Zé Carlos, o primeiro a dar-me esta notícia. Até logo, amigo!) (Zé Paulo)



publicado por antmarte às 14:40
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Sexta-feira, 2 de Junho de 2006
Rectificação

   Porque afinal por aqui já somos todos crescidinhos, devemos adequar os nossos anseios à nossa situação actual.

   Venho por isso rectificar os votos de ontem, deixados em jeito de graça por ser o Dia da Criança.

   Assim...

QUANDO FOR GRANDE... QUERO SER UM SUPRANUMERÁRIO!!!

(se o termo melindrar o senhor ministro, posso substituir por “funcionário em situação de mobilidade especial”...) (Zé Paulo)



publicado por antmarte às 12:18
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Quinta-feira, 1 de Junho de 2006
Dia Mundial da Criança

   Quando for grande...

  

quero continuar a ter o céu como horizonte e fascinar-me com os balões que para ele sobem.  (Zé Paulo)



publicado por antmarte às 09:56
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